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Caminho
a Minoo
Shihan
Christian
No
dia seguinte ao meu encontro, no meu idioma, com o Sr. Sasaki
Hiroshi e seus
alunos nos Jardins de Osaka Jo (Catelo de Osaka), me
dirigia a Minoo, que se encontra a
uma hora de onde está a minha hospedagem em Osaka.
Pegando 3 trens diferentes começei
meu trajeto. Minoo é famoso
por sua cascata e pelos macacos e também porque
60% do território deste município está coberto
de um bosque exuberante, e ali se encontram lugares
turísticos como o Parque seminacional de Minoo “Bosque
de Meiji e o templo Katsuoji".
A área do atual Parque de Minoo é a
região dedicada à religião das
montanhas por En-no-gyoja (um asceta
ermitão), considerado fundador da seita budista Shugendo.
Por esta razão, é que justamente me dirigia
a Minoo, pelos Shugensha e os Yamabushi.
Lamentavelmente, meu terceiro dia em Osaka não
foi recebido pelo clima, e minha viagem a Minoo foi
com chuva desde que saí até meu regresso.
Uma vez saindo da estação ferroviária
comecei a caminhar lentamente, a caminhada era certa
e muitos quilômetros de subida me esperavam debaixo
de chuva contínua que não mostrava intenção
de parar.
Assim, decidi passar primeiro pelo posto
de informações, consultar os mapas para
não me perder na montanha de 600 metros de altura.
Meu objetivo era visitar os lugares importantes de En
no Gyoya e consultar alguns Shugensha,
conhecer melhor Osaka, e apreciar
tal maravilhosa natureza. Aproveitando a estrada de Saigoku,
que atravessa de leste a oeste o município,
me dirigi ao templo de Ryuanji, a
aproveitar para apreciar monumentos antigos nesta estrada,
por exemplo: os restos de acampamentos de Segawa e Hanjo,
as ruínas do lugar onde esteve a prancha de Makiochi,
a antiga casa de Kayano Sanpei um
dos samurais de Ako Roshi entre outras
coisas mais.
No caminho, parei no templo de Ryuanji,
onde a história e tradição dizem
que este templo teve sua origem como lugar de ascetas
de En-no-gyoja. Por ser o lugar de
peregrinação original da seita Shugendo da
fé nas montanhas reúne numerosos Shugenja,
fiéis praticantes dos ensinamentos do Shugensho.
Aproveitei para comprar um Omamori (protetor)
de Fudomyo aos quais gosto de observar
como recordação dos lugares significativos
de minhas visitas. O lugar com os Sakura florecidos,
os antigos templos que formam Ryuanji, pinos, cedros
ancestrais, a chuva e o frio formavam neste refúgio
mitológico. Um ambiente ideal para reconhecer
nosso caminho interno.
Perto do templo de Ryuanji,
uns 40 metros mais de subida, está o Centro
de veneração de Benzaiten (Sarasvati) mais
antigo do Japão. Benzaiten (Bentenzama) é um
dos 7 Deuses da prosperidade (sichifuku shin) que
é a “padroeira” das Artes, Música,
Ensinamentos, Comunicação, Dança,
etc.
Continuando a minha subida neste ambiente
frio e chuvoso, atípico na primavera de Minoo mantive
a direção do caminho sinuoso até chegar à Cascata
de Minoo. Minha felicidade foi ao
poder chegar quando a chuva estava com toda a sua força,
meu calçado molhado, minha mochila e tudo o
que levava nela também. Poder apreciar sua magnífica
beleza nos 33 metros de altura que esta cascata apresenta.
A queda da cascata em meio ao estrondo das águas
se assemelha a um furacão, e esta parece ser
a origem do nome deste lugar místico entre Osaka
e Kobe.
Depois de algumas fotos e um pouco mais
de filmagem, retomei meu caminho de descida, não
queria que meus pés molhados e minha roupa úmida
dessem uma gripe no Japão,
ainda mais faltando mais de 22 dias para voltar.
Alguns dados interessantes sobre En No Gyoya e
o Shugendo. Shugendo é a
disciplina cuja finalidade é o enfrentamento
das limitações e temores pessoais que
podem surgir ao nos encontrarmos em contato com um
ambiente rural agreste como o das montanhas. Shugendo é um
ramo do budismo Shingon criada por
um monge asceta chamado EN-NO-GYOJA no
ano 600 de nossa era, graças a um sonho que
teve em um retiro espiritual. Lembremos que depois,
o criador de Togakure Ryu, chamado Daisuke adaptou
os ensinamentos de Kain Doshi sobre
conhecimentos de Shugendo. Em No
Gyoya teve homens que seguiram este caminho
e receberam vários nomes, por exemplo, kenja,
kenza y shugensha. Estes místicos da
montanha chegaram a ser conhecidos por suas habilidades
mágicas e conhecimentos do oculto sendo solicitados
como curandeiros ou médiuns conhecidos como MIKKYO.
A maior parte destes ascetas, além de sua dedicação
ao shugendo estudaram os ensinamentos
da escola Budista Shingon e Tendai.
O Shingon foi uma das primeiras escolas
esotéricas do Budismo japonês, segundo
ela a iluminação se consegue através
do isolamento, o estudo e a contemplação
tanto de si mesmo como da natureza e do Mandala,
imagens esotéricas próprias da filosofia
budista. As escolas Shingon e Tendai encontraram
nas montanhas o lugar ideal para este tipo de isolamento
e contemplação da natureza.
Em seus retiros na montanha estes
monges não somente estudaram a natureza e
os textos e imagens religiosos e espirituais mas
também uma variedade de Artes Marciais. É questionável
a idéia de que desde esse isolamento tiveram
que se defender dos bandidos samurais ou outros monges,
mas a idéia de estudar artes marciais como
meio de melhora pessoal no mental e no espiritual,
não exclusivamente no físico tem sido
sempre um elemento presente na cultura japonesa além
das exigências específicas de qualquer
seita religiosa. Assim, como os sohei,
os yamabushi e os Shugensha chegaram
a ser tanto guerreiros como monges.
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