(continuação)

amashi no Hikari (), ou a luz da alma, é a essência do ser. Kokoro, muitas vezes pode ser suja, como um cristal. O cristal que separa a mente da alma, se suja cotidianamente pelas situações estressantes ou inclusive por maus hábitos. Se o cristal está sujo ou opaco, produz ignorância e não nos deixa ver o mundo real.
Ainda que a luz do sol brilhe, se os cristais de uma casa estão sujos, a luz não entrará. A culpa não é do sol nem da casa, é que não se limpam bem os cristais. Uma pratica constante de Budo, em lugar indicado e com o professor qualificado, sem divida alguma fará que os ensinamentos de Soke por meio da Bujinkan ajudem a limpas este cristal. Se o cristal está limpo, o Tamashi no Hikari deixará perceber sua luz para fora e os de fora poderão ver claramente o interior.

Utsuwa (Ki) Significa; recipiente; receptáculo; utensílio, instrumento, vasilha, ferramenta, sistema e também pode entender-se como capacidade.
Este Ki é o mesmo utilizado para armas (Buki ).
Penso que se consegue seguir treinando frente às adversidades com a mente em Ninniku Seishin, então a coragem e a perseverança ta premiarão com um importante ponto de vista de Shin Shin Gan
A capacidade de (utsuwa) é limitada se só se pensa na vasilha (utsuwa) que é o próprio corpo e o próprio ego. As limitações só estão na mente do que vive sujeito às mudanças sociais como se se tratasse de uma moda. As fronteiras limitam a consciência. Se há como ser testemunha das mudanças com sentimento de desapego, então a mente transcende o recipiente estreito de capacidades, para adentrar-se em uma consciência elevada. Adaptabilidade, henka, é uma muito boa forma de aprender a transcender as limitações e condicionamentos. Aprendendo a levar adiante as ações e ideais com o sentido de justiça, compreendendo que um Ninja também tem as forças do céu como amplitude a seus ideais, então as capacidades podem ser ampliadas e transcender as fronteiras da consciência.
Dentro do coração existe a harmonia e sentimentos puros essenciais no caminho do guerreiro. Mas se realmente se quer aprofundar na essência do ser, deve-se perceber o sentimento que provem de uma consciência divina que só reside na alma do guerreiro (Tamashi ).
Penso que para o guerreiro, a Alma é como a jóia (tama ) e o brilho (komyo ) que emana desta, é sagrado como luz de
conhecimento, entendimento e respeito.
Sinto que um guerreiro deve manter seu espírito em harmonia com a natureza e preservar seu treinamento com adaptabilidade, fazendo brilhar o coração com habilidades (sainô) marciais. Estas habilidades com o tempo se convertem em Butoku (virtude marcial). Se pode aplicar estas habilidades no dia a dia na maioria dos aspectos que ocupam a pessoa, então o Budo toma um sentido de vida verdadeiro.

Bufu San Kai. Tenryu, Verão de 2009



uitas vezes o Soke referiu que uma mesma técnica sofre adaptações por parte de quem a realiza. Na verdade este estágio foi muito mais do que ver uma mesma técnica aplicada por diferentes Instrutores, foi entender que a sua evolução também varia mediante o sentimento de quem a aplica. O ponto de partida foi sempre o mesmo, “zero” e o Sensê Ricardo Lavado demonstrava o exercício terminando com um” wakaramas ka” (compreendem?), ao levantar juro que compreendia mas talvez pela simplicidade tudo o que me pareceu fácil tornava-se estranhamente difícil de aplicar. “O que não entendem mais tarde irão compreender” palavras do Soke Hatsumi que espero que não demorem a fazer sentido ...

Sergio • Portugal

ma foto com o Soke Masaaki Hatsumi, um diploma do Soke Hatsumi, um livro ortografado pelo Soke Hatsumi, uma pintura do Soke Hatsumi, naturalmente treinar com o Soke Masaaki Hatsumi ... tantos sonhos realizados que se vão concretizando ao longo dos anos, mas provavelmente o sentimento que mais me marcou foi receber dos meus alunos um livro do Soke Masaaki Hatsumi assinado por todos ... são pequenos actos que tornam o Ninjutsu da Bujinkan tão especial. Obrigado

Sensê Ricardo Lavado • Portugal


dificil pôr em palavras esta experiência no Japão e certamente ao fazê-lo não estaria a dar-lhe o valor que merece (ainda não compreendi grande parte dessas experiências). Mas posso afirmar que nos 14 dias que passei no Japão e durante as 30 aulas que tive, pude avistar os próximos patamares e sei agora o que tenho de melhorar e como fazê-lo.
Foi difícil para mim juntar o dinheiro todo em 4 meses com apenas um part-time, economizando ao máximo e gastando o mínimo. Mas quero desde já agradecer às pessoas que me ajudaram tanto financeiramente como com apoio moral: à A. Pereira, G. Godinho e M. Couto pelo apoio que me deram para aguentar; ao H. Narciso pela ajuda que me deu antes e durante a viagem; ao meu Mestre Duarte Rodrigues a quem agradeço por ter tido a paciência de me ensinar o suficiente durante dez anos para poder entender (mais ou menos) o que me era pedido nos treinos; a familiares e por último, e em destaque, aos meus pais que sem a ajuda dos quais não teria mesmo ido ao Japão.
Para quem planeia ir fazer a viagem, posso desde já dar o concelho de fazer como eu fiz e ir sem expectativas algumas e esquecer a vida que tem em Portugal, assim vai com a cabeça livre e aprenderá mais facilmente.

E para quem quer ir ao Japão mas acha que não consegue devido a barreiras financeiras ou pessoais só digo:
“Se eu consegui pouco-a-pouco, porque não tu?”.

Patrick Gerken • Portugal


Entre as mais antigas lendas do mundo das Artes Marciais encontram-se aquelas que nos falam de Mestres habilidosos que consegue com uma pancada, ou até um simples toque, provocar danos ao seu adversário. A literatura asiática esta cheia de histórias extraordinárias onde Guerreiros de dimensão mítica, quando confrontados com adversários poderosos ou em número avassalador, utilizam misteriosas capacidades que lhes permitem com uma pancada específica e muito localizada, provocar o colapso de órgãos internos ou a supressão de determinadas funções vitais nos corpos daqueles que o ameaçam. Ás vezes esse colapso ou supressão são instantâneos, outras vezes manifestam-se de forma retardada.
Como com todas as lendas também esta possui um fundo de verdade e que é bem mais abrangente do que muita gente supõe. Para começar tornase necessário introduzir um conceito fundamental, o de sistema nervoso.

O sistema nervoso é a parte mais leve do corpo humano e claramente a mais complexa. É formado pelo cérebro, medula espinal e pela rede de nervos periféricos que se estendem até as mais ínfimas extremidades do corpo. Regulam a resposta do corpo a estímulos, processando a informação, determinando respostas e enviando sinais que desencadeiam acções. O sistema nervoso humano é o controlador dos pensamentos, sensações e comportamento humano.

O sistema nervoso central (SNC) é o centro de comando do corpo, ligando entre si as diversas partes do todo orgânico. Interpreta a informação sensorial e envia instruções, dizendo ao corpo como reagir. Podemos dividir o SNC em duas partes, o encéfalo (cérebro) que fundamentalmente processa informação e toma decisões, e a medula espinal que transmite os sinais entre o encéfalo e o resto do corpo.

O sistema nervoso periférico (SNP) é a parte do sistema nervoso que é exterior ao cérebro e à medula e serve os membros e os órgãos. Podemos ainda dividir o SNP em duas partes: o sistema nervoso somático (SNS) e o sistema nervoso autónomo (SNA).
O SNS controla os movimentos músculo-esqueléticos que acontecem por acção voluntária e consciente do indivíduo humano. Quer-se com isto dizer que o SNS regula a actividade que se encontra dentro do nosso controle consciente, como andar, correr, apanhar um objecto, etc. Já o SNA é responsável pelas actividades de manutenção no nosso corpo e pelo movimento involuntário que este realiza. Isto é, por todas as acções do nosso corpo que acontecem sem esforço consciente, tal como a respiração, ou o batimento cardíaco. O SNA por sua vez ainda se divide em sistema nervoso parassimpático e sistema nervoso entérico, ambos responsáveis pelas funções “descansa e digere”; e ainda no sistema nervoso simpático, que é o responsável pela reacção “luta ou foge” que se experimenta durante uma situação de stress ou de perigo.
Quer os nervos somáticos quer os nervos autónomos têm origem em locais muito próximos do tronco cerebral pelo que comunicam uns com os outros. É devido a este facto que informações sensoriais de nervos somáticos podem desencadear respostas em nervos autónomos e viceversa. O que podemos então concluir?
Bem, que quando um nervo somático localizado num músculo é atingido com violência, pode desencadear uma tempestade de impulsos eléctricos que por sua vez podem afectar um nervo autónomo correspondente. O resultado é o colapso de um órgão ou


a afectação do seu ritmo (aceleração ou desaceleração), tudo isto sem interferência do cérebro. Por esta razão ao atingirmos um nervo num membro podemos estar a provocar uma alteração no funcionamento do estômago, coração ou rins, por exemplo.

Nas duas principais disciplinas de combate sem armas (Taijutsu) dentro da Bujinkan, o Koppo-jutsu e o Kosshi-jutsu, são habituais as técnicas que visam atingir determinados pontos vitais tendo como objectivo o dano neuromuscular. Ao conjunto desses pontos dá-se o nome de kyusho e muitos deles são funções do próprio sistema nervoso humano.

Quando fala sobre esses pontos o Soke Dr. Masaaki Hatsumi explica que o resultado e consequência de atingir um desses “centros” pode ter inúmeras formas. O individuo pode por e simplesmente morrer se não for imediatamente reanimado, pode uma vez atingido num determinado ponto vir a sofrer de futuras complicações medicas que emergirão como consequência dessa acção, pode ter a sua vitalidade extinguida temporariamente (permanentemente seria enquadrada no primeiro ponto, a morte), ser incapaz de se mover durante três ou sete dias, ou apenas ser submetido a uma dor excruciante. O próprio Taijutsu apresenta condicionantes evolutivas que surgiram da necessidade da precisão para atingir alguns destes pontos, refiro-me aos punhos Boshi-ken e Shitan-ken.

A classificação de todos estes pontos seria suficiente para outro texto de dimensões bem maiores do que este artigo, pelo que ficará para outra oportunidade. Deixo no entanto a título de exemplo o ponto KOE situado no centro da linha oca dos ossos dos quadris, que desce em direcção à zona pélvica, na parte frontal do corpo. Os densho do Koppo-kutsu dizem que uma vez atingido, esse ponto trará dor e sofrimento durante sete dias.
É arte marcial no seu expoente máximo de sofisticação e a razão pela qual o ninja era uma figura tão temida no Japão ancestral; eu diria poder na sua forma mais elegante.
Sensê Nuno Ferreira • Portugal